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1904
O início de um século de história
Cada instituição tem a sua característica. A história da Comunidade Evangélica Luterana São Paulo de Canoas funde-se com a história da ULBRA. É uma relação comparável àquela entre mãe e filha. O destaque é o crescimento da filha a ponto de superar todos os limites previsíveis. Fato que orgulha a mãe. A ULBRA alçou um vôo tão alto e deslumbrante que espargiu a sua influência até os extremos geográficos do Brasil. Mas tudo começou a cem anos com as famílias Jannke, Schilke, Kellers, Stolzenberg, Appel, Kern, Loocke, Biehl, Schwarz, Roesh, Steffen e Bahr. Estes são os fundadores da Comunidade São Paulo em 1905.
A visita de setembro em 1904
A origem da comunidade São Paulo de Canoas relaciona-se com o propósito dos luteranos de origem alemã nos Estados Unidos de enviar em pastores ao sul do Brasil para preservar a fé dos imigrantes. As famílias de Canoas foram beneficiadas. Antes silenciadas no seu abandono, receberam a visita do jovem pastor Henry T. Stiemke. Numa conversa informal, ele ouviu que a 7 ou 8 quilômetros da estação ferroviária – na parte alta em direção à Gravataí – havia luteranos que se ocupavam com plantações. Provavelmente seguiu a pé da estação por uma pequena estrada ladeada de cedros e pitangueiras. Depois de caminhar, quase duas horas, abordou a primeira casa. Não há qualquer documento do primeiro anfitrião. Mas há uma foto que identifica a residência da família Janke onde se supõe ter ocorrido o primeiro culto em 1904.
O ano de 1905 e um certo Einstein
Não foram celebridades que deram origem à congregação São Paulo. Foi gente simples. Famílias que lutavam pela subsistência e que carregavam consigo o sentimento do dever de educar os seus filhos na fé de seus ancestrais. Alguns dos pioneiros descansam no Cemitério da Comunidade que fica no bairro Estância Velha, local onde se construiu a primeira casa para servir de templo. Destaco a lápide do casal João e Maria Appel. Ambos nasceram em 1869. Ele morreu dois anos após a fundação da comunidade. Ela viveu mais quarenta e dois anos. No jazigo está escrita a frase de sua fé: “Bem-aventurados os que desde agora morrem no Senhor.” Casal como esse forma o perfil dos fundadores num tempo revolucionário da humanidade que estava em seu alvorecer. Coincidentemente, na história da ciência, o ano de 1905 é considerado um ano miraculoso por causa da teoria da relatividade de Einstein.
1906
Os primeiros passos
A história da Comunidade Evangélica Luterana São Paulo de Canoas tem duas origens: a base étnica na Alemanha e a base confessional nos Estados Unidos. Os fluxos emigratórios alemães dirigiram-se majoritariamente à América do Norte, enquanto um grupo minoritário veio para o Brasil e para Argentina.
Da Alemanha aos Estados Unidos
Na primeira metade do século XIX, a Alemanha estava dividida em pequenos estados independentes. Em muitos deles, a religião era decretada oficialmente pelo regente. Mas havia divisão interna dentro das próprias confissões. A tendência luterana mais ortodoxa não aceitava as praxes convencionais. Por volta de 1840, parte do grupo desses luteranos resolveu deixar a Alemanha. Um contingente de famílias radicou-se no estado de Missouri. O mesmo grupo fundou em 1847 a Igreja Luterana naquele país. A partir daí, vieram mais alemães, e as comunidades expandiram-se. Foi necessário construir um Seminário próprio para formar pastores. Como a demanda de pastores e professores era grande, vieram estudantes da Alemanha para o Seminário americano. O fervor missionário desses luteranos tinha os olhos voltados ao sul do continente. Seu foco principal era a Argentina e o Brasil. O entusiasmo cresceu ao descobrirem que havia uma população de 347 mil alemães nos três estados sulinos brasileiros.
Dos Estados Unidos para o Brasil
O pastor Ludwig Lochners foi o principal incentivador da obra missionária. Enfatizava também o ideal luterano de colocar ao lado de cada igreja uma escola. E isso ele reafirmava com vigor no púlpito. No dia 28 de novembro daquele mesmo ano, foi decidido criar-se um fundo para efetivar a missão na América. Em nove de janeiro de 1900, uma coleta que envolveu todas as congregações somou a quantia de 2000 dólares. Ela foi destinada para a missão no Brasil. Em 21 de março de 1900 desembarcou no porto do Rio de Janeiro o pastor C. J. Broders para seguir viagem ao Rio Grande do Sul e manter os primeiros contatos. Suas primeiras impressões não foram boas. Alguns meses depois Broders deparou-se com pessoas interessadas e fundou a primeira congregação luterana no Brasil na localidade de São Pedro, interior de Pelotas. Aprovada a experiência, vieram outros missionários, e no dia 24 de junho de 1904 ocorreu a criação oficial da Igreja Luterana em solo brasileiro. Já, no ano seguinte, 1905, surge em Canoas a Comunidade São Paulo cujos cultos foram realizados alternadamente nas casas dos congregados até a primeira construção da capela em 1911.
1912
Um empréstimo para a segunda capela
A Congregação São Paulo não tinha um local fixo para os cultos até 1911. As casas onde se realizavam os ofícios não conseguiam abrigar todas as famílias. O fato gerou a necessidade de se construir uma capela. Os recursos teriam que ser buscados junto aos congregados e junto à Igreja. A coleta foi fraca. Somou apenas 490 réis (nome da moeda brasileira na época) contra os 696 mil necessários. Apesar do auxílio recebido, os luteranos tiveram que recorrer a um empréstimo. Uma velha fotografia, num tom preto e branco desbotada, envolta de sombras turvo-cinzentas é o único documento que existe da primeira capela.
Dificuldades e o primeiro fechamento
A carência de professores atingiu a comunidade. Praticamente não havia professores fixos. Entre 1914 e 1916 a tarefa estava sob o encargo do estudante Friedrich Dewe. Como a maioria dos membros da congregação eram agricultores, os mesmos pediram para que as aulas fossem apenas nos fins de semana, pois necessitavam da mão-de-obra dos filhos durante a semana. Nesse tempo, o mundo estava em guerra. A partir de 1917 a situação dos alemães alterou-se no Brasil. A língua foi proibida. Por motivo de cautela, acrescido pelas dificuldades econômicas, o pequeno educandário foi fechado temporariamente.
Não se sabe o exato reinício da escola. Presume-se que tenha sido em torno de 1920 com a vinda do pastor americano Paul Wilhelm Schelp. A primeira construção durou até 1925, quando foi substituída por um outro prédio.
A segunda capela
O prédio ou da sede da primeira capela e escola mostrava sinais de desgaste. Havia frestas nas paredes, goteiras no teto, tábuas soltas e apodrecidas. As janelas estavam tortas e emperravam. Cada passo no seu interior fazia o assoalho ranger. O seu estado preocupava os pais das crianças que o frequentavam. Havia a certeza que o modesto pavimento não resistiria ao primeiro temporal. Não havia outra alternativa senão derruba-lo e construir um novo.
No entender do pastor Schelp, a comunidade deveria unir-se em torno do projeto de uma nova construção. As tratativas duraram até 1924. Decidiu-se comprar outro terreno mais próximo da estação ferroviária.
Os dois principais nomes para nova sede foram do pastor Schelp e o do professor João Alberto Woltmann – um leigo que se dispôs a estudar teologia formando-se em 1927.
1966
Um chamado para mudar a história
Na plenitude do verão, no dia 8 de fevereiro de 1925, ocorre a inauguração da nova igreja/escola. A foto do evento permite algumas deduções. Percebe-se que o número de pessoas é grande. A ata registra que o pregador do culto inaugural foi o pastor Georg Wilhelm Rehr. O detalhe desse templo é que foi construído em outro lugar, na atual rua Bandeirantes. As famílias acharam que a antiga capela estava muito longe da estação do trem e do centro da vila.
Aqui se abre na história da Comunidade São Paulo de Canoas uma linha de tempo peculiar que vai até 1966. Este ano é o marco divisor.
A dedicação do pastor Schelp
A década de 20 revela a dedicação do pastor Paul Schelp à comunidade São Paulo. É dele o mérito do reinício das atividades da escola. Mas foi um tempo difícil. A instabilidade política e a pobreza dos membros da congregação contribuíram para o segundo fechamento do educandário. Assim, entre 1929 e 1931, as crianças não tiveram aulas.
Já a década de trinta inicia-se melhor. A congregação decide em 1931 reabrir a escola e chamar o professor Hermann Steyer do interior do município de Erechim. O mesmo trabalhou até 1938. Com a ausência do prof. Steyer, a escolinha luterana é atendida provisoriamente pelo professor Walter Hesse e por Íris Wagner, uma jovem leiga.
Em 1935 são erguidos os primeiros postes para a transmissão de energia elétrica. Em 1939 se estabelece a base aérea, fato que faz Canoas crescer significativamente.
O final dos cultos em alemão
Já os anos quarenta são ruins para a congregação São Paulo. A germanicidade dos seus filiados é alvo de repreensões pela política getulista. A congregação não podia mais dispor de cultos em língua alemã. Parte das pessoas idosas não entendia o português. Isso provocou conflitos de consciência. O pastor Karl Johannes Fiedler foi preso por ter escrito um poema exaltando a Alemanha e o professor Woltmann, para evitar a prisão, fugiu. O impacto foi grande para a comunidade, e as sombras do medo cobriam aquelas famílias. Muitas delas desfaziam-se dos seus livros em alemão para não serem considerados simpatizantes do nazismo.
A comunidade e a escola tiveram de adaptar-se à política nacionalista, e o professor João Schmidt precisou alterar o currículo da escola.
É chamado o pastor Leonido Krey, que trabalha até 1948. Seguem aí, por um tempo muito breve, os pastores Reuter e Rottmann. Em 1952 assume o pastor Martin Carlos Warth, que é sucedido por Elmer Reimnitz. Entre 1964 e fevereiro de 1966, a comunidade é atendida interinamente. 1966 é o ano divisor da história da comunidade. Começa um novo tempo com o chamado pastor Ruben Becker.
1967
O pastor Ruben Becker assume e a CELSP abre novos caminhos
Desde o primeiro domingo de atuação do novo pastor, 7 de março de 1966, os integrantes da Comunidade Evangélica Luterana São Paulo de Canoas começaram a perceber que algo estava mudando no âmbito da congregação. O pastor Ruben Eugen Becker, recém chegado de Peabiru, Paraná, com menos de 30 anos de idade, logo no seu primeiro culto deu a entender que não veio para abraçar o conformismo, nem contemplar o derrotismo.
Herberth Liechti, então presidente, sente-se gratificado. Ele havia indicado o pastor Becker numa assembléia em fevereiro do mesmo ano.
Termina o culto, surgem as idéias
Em 24 de julho daquele ano, o novo pastor é apresentado à Comunidade, após o culto, a idéia da construção de uma escola com um primeiro grau completo e um segundo grau técnico. Houve questionamentos:
Como uma comunidade que não pode manter a velha escolhinha, teria condições para tão arrojado empreendimento?
Apesar das opiniões divergentes, a decisão de abraçar o projeto é tomada. A partir daí seguem as tratativas durante vários meses. Na assembléia dos membros de 11 de setembro de 1966, são acertados os trâmites jurídicos.
No ano seguinte, em 1967, o pastor Ruben Becker recebe o convite do Presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil de viajar pelo país e incentivar as comunidades à criação de escolas. A história mostra que foi um convite certo para uma pessoa certa.
Em 17 de março de 1968, dois anos à frente da comunidade, ele anuncia oficialmente que havia conseguido uma doação da Lutherpälpen, da Suécia, que correspondia a 75% do custo da construção do Colégio Cristo Redentor.
Para os lados do valão
O terreno para o novo educandário é escolhido no fim da Avenida Inconfidência. Encontra-se na frente de um valão e rodeado de eucaliptos e terrenos baldios. Não havia muito crédito para o futuro da escola. Ainda em 1968 é lançada a pedra fundamental. No ano seguinte o prédio está erguido e iniciam as aulas. Ruben Becker sabia da importância da opinião pública em torno do novo empreendimento educacional. No dia 29 de setembro de 1970, o colégio recebe a visita do Ministro das Comunicações, Higino Corsetti. O fato tem boa cobertura. Acrescido a isso, de Genebra vem a notícia da aprovação de verbas a construção do segundo prédio.
Administração, a primeira das faculdades
Consolidado o Colégio Cristo Redentor, brota outra idéia audaciosa: a criação de uma faculdade. Seguem reuniões ao longo do ano e no dia 13 de dezembro de 1970 é decidido que o terceiro grau seria criado com o nome: Faculdade Canoense de Ciências Administrativas.
Em 1971, a Comunidade Evangélica Luterana São Paulo disponibiliza tempo integral ao pastor Ruben Becker para dedicar-se aos projetos da Igreja. No mesmo, ano a Assembléia dos Membros Votantes registra um voto de louvor ao pastor pelo êxito nos projetos de captação de verbas de países europeus.
O passo para a faculdade é dado em 1972. Os primeiros 50 alunos ocupam uma sala no Colégio Cristo Redentor. Tudo é modesto. O terceiro grau começa com um único funcionário, o sr. Engo Nauderer, que exercia a função de secretário. A máquina de escrever pertencia ao Colégio, o que acontecia também com a mesa e o arquivo de aço, repartido em duas partes, metade para a escola e outra para a faculdade.
A ênfase que se dá às condições modestíssimas desse começo mostra que por trás da grandeza da ULBRA de hoje repousa o ato corajoso de iniciar algo mesmo quando a maioria duvida da proposta.
Hoje o Colégio Cristo Redentor está cercado de belos edifícios. Acaba de inaugurar o seu segundo ginásio. O valão desapareceu e sobre ele há jardins e floreiras. Enquanto isso a Faculdade Canoense transformou-se u num complexo gigante chamado ULBRA, com atuação nacional e internacional.
Surgem as Faculdades Canoenses
A partir de 1973, a Faculdade Canoense passa a ser o carro-chefe do projeto de educação da Comunidade Evangélica Luterana São Paulo. A maioria dos fatos relevantes passa a girar em torno dela.
Uma data de alto valor histórico é a de 20 de dezembro de 1976. Muitos moradores de Canoas lembram que foi um dia incomum. Um séqüito de carros pretos, motocicletas com batedores e soldados do exército circularam pelas ruas da cidade. A curiosidade era grande. Poucos sabiam que se tratava da comitiva do Vice-presidente da República, o general Adalberto Pereira dos Santos, o paraninfo da primeira turma de formandos do curso de Administração de Empresas. O evento movimentou a comunidade acadêmica e mereceu ampla divulgação na mídia.
O nosso primeiro acadêmico
Formaram-se 19 acadêmicos com o título de bacharéis. Entre eles, está o primeiro aluno de número 001, o primeiro a se inscrever no vestibular e o primeiro a se matricular, Odílio Beatrici. Após a saudação do diretor Pedro Menegat, fala em nome da turma o formando Ricardo Muller. Falam ainda o homenageado de honra, professor Günther Horst Schlüter, e por fim, o Paraninfo, vice-presidente da República, o general Adalberto Pereira dos Santos. Dois dias depois, ocorre a segunda formatura, a de Ciências Contábeis. O paraninfo é o professor Theobaldo Pilger, o primeiro professor da faculdade.
Para fazer justiça aos momentos pioneiros, esses detalhes tornam-se obrigatórios numa resenha histórica. Hoje, na ULBRA, ocorrem por ano várias dezenas de formaturas, algumas até simultâneas no horário, em auditórios diferentes.
1979
Mais faculdades e o projeto do campus
Entre 1973 e 1978, tanto o Colégio Cristo Redentor como as Faculdades Canoenses ganham novos cursos. No ensino superior são acrescidos os cursos de Ciências Contábeis, Arquitetura e Urbanismo. Nesse período é cogitada a transferência da Faculdade para uma sede própria. O projeto é elaborado pelos professores Pedro Menegat, Armando Würth e Ruben Becker. Em janeiro de 1978, é adquirido o primeiro lote localizado no bairro São Luís, Canoas. São 15 hectares. Logo depois, foram acrescidos mais 10 hectares.
O ano de 1978 caracteriza-se, portanto, como o primeiro passo para a criação do campus universitário. A condição de isolamento do local foi alvo de preocupação por parte daqueles que imaginavam ser um fracasso a instalação da faculdade num lugar à época tão afastado do centro de Canoas.
A mudança para o bairro São Luís
Em 1979 as Faculdades Canoenses matriculam 1717 alunos. O espaço interno do Colégio Cristo está saturado. Não há estacionamento para os automóveis. Este é feito nas ruas. Em 15 de outubro de 1979 ocorre o lançamento da pedra fundamental com a presença do prefeito de Canoas, Oswaldo Guindani, e o inspetor do MEC, professor Gilberto Moraes.
A idéia estava lançada, mas a construção só daria certo se houvesse aprovação de verba por parte da Evangelische Zentrastelle für Entwicklungshilfe (Central Evangélica para Auxílio e Desenvolvimento) de Bonn, Alemanha. Mais uma vez a história da Comunidade São Paulo girava em torno da elaboração de um projeto. Com o pastor Becker pela frente, durante os 13 anos de sua presença, ela já obtivera sucessivos êxitos.
Desta vez, algo grande estava em jogo: o futuro da Faculdade. Em 1980, Ruben Becker e Pedro Menegat viajaram a Alemanha para agilizar a tramitação burocrática. São quatros dias de conversações intensas. Enquanto isso, no terreno da São Luís as máquinas já fazem a terraplanagem e os casebres de apoio são erguidos para abrigar ferramentas, cimento e outras utilidades.
Na verdade, Ruben Becker pensava em novas faculdades, em número suficiente para lhe autorizar a solicitação da criação de uma Universidade com sede em Canoas e com atuação nacional. Criar o campus do bairro São Luís era vital para que o grande projeto educacional pudesse ser alavancado.
1981
O novo campus abre em março em Canoas
A Verba solicitada na Alemanha ainda não estava aprovada, mas o prédio próximo à Refinaria Alberto Pasqualini, praticamente na divisa com o município de Esteio, começava a ganhar contornos. Em novembro de 1980 vêm os inspetores da Alemanha, Dr. Erwin Damaske e seu assistente, Dr. Rolf Dieter Assmann. Surpreendem-se com o avanço da obra e ficam convencidos que a aprovação da verba é necessária.
Graças a essa ousadia, conforme o previsto no projeto original da Comunidade Evangélica Luterana São Paulo, as aulas iniciam-se em março de 1981 no novo campus. Numa cerimônia simples, Pedro Menegat abre o ato e afirma:
“A inauguração do campus das Faculdades Canoenses é um pequeno passo para o complexo educacional ante a um gigantesco programa a ser cumprido.”
Menegat tinha razão. Os anos que se seguiram viram surgir em Canoas um dos maiores campus universitários brasileiros fora de capitais como São Paulo, rio, Belo Horizonte e Salvador.
Uma comissão muito especial
Uma vez instalado o campus no bairro São Luís, é intensificada a idéia de expandir a área de educação da CELSP para outros locais. Mas a meta maior é a de transformar a faculdade em universidade. A equipe para redigir o documento ao MEC tem calibre. É formada por Nestor Luiz João Beck, Pedro Menegat, Ely Carlos Petry, Almo Menezes e Raulino Tramontin. Os cinco e o pastor Ruben Becker conduzem as tramitações que culminam, em 1989, com o surgimento da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA).
A Universidade avança para o interior
Os anos 90 caracterizam-se pela expansão das unidades de ensino da CELSP. O objetivo é claro: criar escolas em outras cidades que necessitem desse incentivo para se expandir. São Jerônimo é contemplada com o primeiro vestibular para o curso de Geografia em 1990. Em agosto daquele ano começam as aulas. No ano seguinte, são acrescentados os cursos de Administração de Empresas e Letras.
Ainda em 1990, ocorre também o primeiro vestibular em Guaíba para o curso de História. E em janeiro de 1991 chega a vez da cidade de Gravataí que recebe o curso de Administração. No ano seguinte, 1992, a cidade marítima de Torres, a 197 quilômetros de Porto Alegre, passa a contar com o ensino superior, com um curso vocacionado para o turismo, a grande vocação do Litoral Norte gaúcho e do Sul de Santa Catarina.
1990
A Universidade vai ao Norte e Centro-Oeste
Fora do Rio Grande do Sul, Ji-Paraná, no interior do Estado de Rondônia, ganha em 1986 a sua primeira escola e em 1989 inicia o ensino de terceiro grau. A primeira unidade fora do Estado, o Centro Educacional São Paulo, é um projeto de expansão das Faculdades Canoenses. O primeiro campus de Rondônia acompanha o surgimento da ULBRA e terá, em agosto próximo, a inauguração do seu Hospital Veterinário. 1989 marca também o funcionamento do Centro Educacional Cristo Salvador, em Santarém, no Pará, a beira do Tapajós, incrustada na Floresta Amazônica. Em 90, Santarém recebe o ensino superior com a realização do primeiro vestibular. Em 1992 a Universidade chega a Manaus. O campus da capital do Amazonas foi a primeira unidade a trabalhar com a Internet.
A chegada ao Cerrado brasileiro Em 1994 o rumo é Itumbiara, Goiás, no Cerrado, em pleno Centro-Oeste brasileiro. A ULBRA assume a Fundação de Ensino Superior de Itumbiara, uma cidade localizada a 400 quilômetros de Brasília, lindeira a Minas Gerais.
Tocantins desenhava a sua capital definitiva, Palmas que sucederia a Porto Nacional, e a ULBRA lá chegava com os canteiros de obras da nova cidade concebida para ser uma nova Brasília, só que mais florida que a capital brasileira. Outra unidade surge em Palmas, Tocantins. O campus inicia em 1992, logo após o início das atividades do Centro Educacional Martinho Lutero. Em seguida vem a unidade de Porto Velho, a capital de Rondônia, criada em 2001.
Primeiro a saúde, depois o esporte
Além do ensino, a instituição preocupa-se com a saúde. O projeto de atendimento médico-hospitalar da Universidade teve início em 1993, quando entrou em operação o Hospital ULBRA Luterano. O hoje Hospital ULBRA Independência, em Porto Alegre, foi incorporado em 1995. Outros três hospitais somam-se à rede: o de Tramandaí, o Veterinário e o Universitário, em funcionamento parcial no campus central. Em 1996 surge o Sport Club ULBRA, um projeto incentivado pelo Reitor e tocado diretamente pelo vice-reitor Leandro Becker. Vôlei masculino foi a primeira equipe montada e que chegou ao seu primeiro título nacional na temporada seguinte, a de 97-98. Hoje a ULBRA é tricampeã brasileira de vôlei, bicampeã mundial de futsal e hexacampeã gaúcha de atletismo, além de atuar em competições estaduais e nacionais com suas equipes de futebol, basquete e judô.
1999
A multiplicação de realizações
A partir de 1999 as realizações se multiplicam , e a ULBRA alcança a partir de 2002 o Top of Mind como a mais lembrada universidade dos gaúchos. Os resultados obtidos no esporte motivaram o Governo do Estado conceder à ULBRA, em dezembro, a Medalha “João Saldanha”. No âmbito acadêmico, ocorre outra conquista. É reconhecido o curso de Teologia, o primeiro a obter esse nível por uma universidade brasileira.
Inauguram-se o museu e a usina de cogeração
O ano 2002 marca os 30 anos da ULBRA como instituição de ensino superior, fato assinalado com a inauguração do Museu de Tecnologia, que resulta de uma parceria com a General Motors do Brasil, e com a Usina de Cogeração a Gás Natural, realização conjunta com o grupo gaúcho Stemac. Na área da saúde, no dia 15 de abril de 2003 é realizada a primeira cirurgia cardíaca realizada no Hospital ULBRA Luterano. Em 2003 também é inaugurada a capela do campus central. No âmbito acadêmico é realizada a primeira formatura do curso de Medicina.
Novo hospital, novo campus, novas rádios e a TV
Em pleno inverno gaúcho de 2004, começa a funcionar a Unidade de Internação Pediátrica do Hospital Universitária, instalada para atender a uma solicitação do Sistema Único de Saúde.
Em Ji-Paraná, em março de 2005, é lançada a pedra fundamental do Hospital Veterinário ULBRA que vai atender a uma enorme área do Centro-Oeste e da Amazônia, entre Cuaibá e Macapá, no Amapá. Para 2005 está previsto, ainda, o primeiro vestibular da ULBRA Porto Alegre, unidade que começará sua expansão a partir de 2006. A ULBRA passa a oferecer em agosto o seu primeiro doutorado na área da Genética e Toxicologia Aplicada, incluindo dois mestrados, um acadêmico e outro profissionalizante.
O Hospital Universitário, que já colocou em funcionamento o seu andar térreo, com o moderno serviço de radiomagem e consultórios de especialidades médicas agendadas, atendendo o SUS e o Instituto de Previdência do Estado, vai mais longe: em agosto coloca em funcionamento seus seis primeiros andares com salas de cirurgia, de recuperação, UTIS e leitos para internação.
Em novembro de 2004 começou a funcionar a ULBRA TV, canal 48 UF, em seu período experimental de transmissões. Em agosto de 2005, contando com a autorização definitiva do Ministério das Comunicações, entrará em sua operação oficial. Vencedora da licitação, a rádio Pop Rock espera a aprovação do Congresso Nacional para operar as novas estações de Três Cachoeiras, próxima a Torres, e Cachoeira do Sul.
Agosto de 2005 marcará também a entrada em funcionamento do prédio próprio de salas de aulas e clínicas do curso de Odontologia do campus central.
2005
A comunidade Evangélica Luterana São Paulo é hoje uma das maiores comunidades filiadas à Igreja Evangélica Luterana do Brasil. São 1.555 membros. Muitos, luteranos de berço. Outros, oriundos de congregações do país. Uma parcela considerável é de pessoas convertida, que encontraram na fé cristã a essência para a vida. Para atender a todos, faz-se necessária uma estrutura com pastores, departamentos e comissões. São pastores: Reverendo Ruben Eugen Becker, cedido para ser Reitor da ULBRA; e os reverendos Milton Klagenberg, Egon Kopereck e Élvio Erdamann. Também fazem parte deste quadro, atendendo a capela da Universidade, os reverendos Gerhard Grasel, Paulo Brum e Lucas Albrecht. A Celsp está dividida em departamentos para atender melhor as famílias e suas necessidades: Escola Dominical, com 24 professores; Jovens ( JELCA ) com reuniões aos sábados; Departamento de Servas, que se reúne nas quartas feiras; O Coral e a Banda Dinamys , com a finalidade de usar o dom da voz para louvar a Deus. Ainda faz parte do planejamento a criação do departamento de leigos.
As comissões são compostas por membros prontos a ajudar a Celsp. São elas: Altar e Recepção; Integração e Eventos; Mordomia; Evangelismo; Comunicação Social e Ação Social.
Estudos Bíblicos em toda Canoas
O Estudo bíblico é uma oportunidade muito especial de desenvolvimento do conhecimento da Palavra de Deus. Nesse estudo, onde não apenas se ouve uma mensagem, mas também se questiona e participa ativamente desta mensagem. Numa visão bíblica, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. Portanto, a CELSP investe nesse trabalho e conta hoje com 42 grupos de estudo bíblico, com a auxílio de 16 monitores. Esses grupos estão mapeados, atendendo a todos os bairros de Canoas. Os Estudos Bíblicos e os cultos formam a base do trabalho e são fundamentais para o crescimento da congregação.
Capelas em funcionamento
A Celsp tem hoje três capelas em pleno funcionamento e uma quarta a ser inaugurada no mês de outubro. São elas a Capela do Centro, na rua Fioravante Milanez, 206, com cultos aos domingos, às 9h e 20h e no último Sábado de cada mês, atendidas pelos pastores Milton Klagenberg e Egon Kopereck. A Capela da Igara, na rua Tocantins, esquina com Capiberibe, com cultos aos domingos, às 10h30min, atendida pelo pastor Élvio Erdmann. A Capela da ULBRA, com cultos nas terças e sextas feiras: 18h; e nos domingos, às 10h, atendida pelos pastores Gehard Grasel, Lucas Albrech e Paulo Brum.
A obra mais recente
A Capela de Berto Círio foi a obra mais recente da CELSP. Inaugurado no dia 16 de outubro de 2005, o novo templo atenderá membros residentes naquela região, incluindo Nova Santa Rita. Já com o novo pastor, Valdir Lopes Júnior, o objetivo é ampliar o campo missionário da CELSP e levar a mensagem do evangelho àqueles que ainda não a conhecem.
Rua Fioravante Milanez, Nº 206 Centro Canoas - RS
Cep 92.010-240 - Canoas - RS
Telefone: (51) 3472-5613
